Há cerca de três décadas, eram registrados nos Estados Unidos pelo Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) os primeiros casos do que futuramente seria chamado de Aids. Inicialmente, ela recebeu uma nomenclatura de Doença dos 5 H, em razão de casos registrados em homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e prostitutas (hookers em inglês). Antes considerada um mistério, a doença atualmente já possui tratamento que garante uma expectativa de vida próximas à de uma pessoa não infectada pelo HIV.
Segundo a diretora do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Valdiléa Gonçalves Veloso, essa condição foi garantida pelos medicamentos antirretrovirais (ARVs) existentes. "No início da epidemia, a gente media a expectativa de vida dessas pessoas em semanas e meses. Hoje, ela é indefinida. Estudos mais recentes mostram uma proximidade com a expectativa de vida da população em geral", explicou.
A infectologista listou alguns avanços registrados nos últimos trinta anos no enfrentamento à doença, como o isolamento do HIV em laboratório, a disponibilização do teste-diagnóstico e de exames de carga viral e de contagem de linfócitos, que monitoram a infecção e a multiplicação do vírus no organismo. Valdiléa considera ainda a implantação da terapia com os ARVs como um dos um dos marcos no cenário mundial, segundo ela, foi a implantação da terapia antirretroviral, também conhecida como coquetel antiaids. Com a introdução da terapia medicamentosa, a doença passou a ser considerada como um problema crônico grave e não mais como uma sentença de morte. Além de uma expectativa de vida maior, a qualidade de vida dos soropositivos também aumentou.
- Hoje temos medicamentos que dão um conforto maior ao paciente. Os comprimidos, a frequência e a exigência de restrição alimentar diminuíram e têm uma toxidade menor do que no início. São menos efeitos colaterais, o que faz com que o paciente tolere melhor a terapia, ressaltou a pesquisadora do Ipec.
Outra vantagem é que pessoas que convivem com o vírus da Aids já podem ser submetidas a várias rodadas de tratamento. Há alguns anos, quando os primeiros medicamentos fracassavam, a expectativa de que uma segunda tentativa funcionasse era pequena. Atualmente, há uma lista de medicamentos que podem ser prescritos em casos de resistência ao HIV.
Valdiléa lembrou que mesmo diante do enfrentamento, a epidemia de Aids já acometeu mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo, além de ter provocado a morte de cerca de 25 milhões. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que entre 30 e 35 milhões de pessoas estão infectadas.
- A infecção continua sendo transmitida, mas tivemos resultados de pesquisas muito animadores em relação à prevenção e que demonstram que o uso dos antirretrovirais pode contribuir para a prevenção.
A cientista se refere ao estudo com casais sorodiscordantes que indica que o risco de transmissão cai em 96% quando o parceiro soropositivo se submete a um tratamento eficaz. Para a infectologista, o resultado do estudo atesta que, se a população atualmente infectada pelo HIV tiver acesso ao tratamento, isso poderá representar um impacto considerável no controle da epidemia no futuro.
- A ciência vai continuar avançando. Vamos gerar cada vez mais conhecimentos que vão permitir que as pessoas infectadas vivam mais e melhor. Mas tudo o que a ciência gera, no final, depende de uma outra parte, de fatores que não estão associados, de decisões políticas de grandes líderes mundiais que nem sempre optam por tornar o acesso mais igualitário.
Fonte: Cecovisa
Blog criado para divulgar as atividades do Projeto de Extensão "Direitos Sexuais e Reprodutivos: Conversando sobre Saúde" e do Projeto de Pesquisa "Saúde Sexual e Reprodutiva das Mulheres: O Grupo como dispositivo".
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Após HIV, piora na vida sexual difere entre homens e mulheres, revela estudo da USP
Estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP constatou que após o diagnóstico positivo de HIV, homens e mulheres sofrem piora em suas relações sexuais. Essa piora pode estar relacionada a inúmeros fatores, desde o desempenho até a frequência do ato sexual. Segundo a pesquisa, ao comparar homens e mulheres foi possível perceber que cada grupo considera diferentes variáveis como causas da piora na vida sexual.
A psicóloga Lígia Polistchuck estudou o assunto em sua dissertação de mestrado “Mudanças na vida sexual após o sorodiagnóstico para o HIV: uma comparação entre homens e mulheres”, que foi orientada pelo professor Ivan França Junior. Ela constatou que algumas concepções construídas social e culturalmente sobre os universos masculino e feminino podem exercer influência para piora na vida sexual. Segundo a psicóloga, além de se depararem com tais concepções, atualmente os soropositivos ainda enfrentam, de certa forma, um suporte às vezes não adequado dado pelas instituições que se dizem especializadas. “Este suporte os reduzem ao diagnóstico da doença, sem atentar para os outros fatores que auxiliariam na promoção de sua saúde”, afirma Lígia.
A pesquisa, baseada na análise de questionários respondidos por 979 portadores de HIV, aponta as variáveis mais relacionadas à piora tratando-se de cada sexo. Há variáveis que protegeriam os soropositivos da piora na vida sexual, chamadas “protetivas”, e também variáveis que colaborariam para o agravamento da vida sexual. Para cada sexo, variáveis diferentes apresentam-se como mais expressivas, sejam protetivas ou não.
Por exemplo, para as mulheres, a falha de suporte do serviço de saúde, em diversos aspectos, é considerada muito significativa como causa de piora na vida sexual. Já para os homens, ter o número de parceiras sexuais reduzido após o diagnóstico apresenta-se como questão expressiva para o agravamento na vida sexual. Isso não os ajuda na tentativa de manutenção do “ser homem”, uma construção sociocultural.
Como “protetiva”, “a facilidade para falar com psicólogo às vezes” apareceu no universo masculino. Curiosamente, ao contrário do que se esperava baseado no senso comum de que mulheres conversam mais com os médicos — psicólogos e outros profissionais da área —, esta variável não foi expressiva para o universo feminino. Apesar disso, “a não abertura para falar com ginecologista sobre as relações sexuais” foi considerada um motivo expressivo de piora. A partir desta comparação, Lígia pôde confirmar a importância de ser oferecido um espaço para que as pessoas que vivem com HIV possam falar da vida sexual com o profissional de saúde. Este, por sua vez, deve ter um olhar mais atento às demandas não tão óbvias, ou que não se associem somente à prevenção ou ausência de doença.
Vida financeira e uso de drogas
O trabalho constatou ainda que questões que dizem respeito à vida financeira também exercem influência para as mudanças na vida sexual de portadores. No caso dos homens e das mulheres, respectivamente, estar empregado e receber um salário mediano, por exemplo, é considerado importante para as mudanças na vida sexual. Os homens, caso desempregados, têm mais possibilidade de apresentar piora. Esta piora aconteceria porque o homem é cobrado e/ou se cobra quando o assunto é “desempenho”, “poder”, “prover”, colaborando para o que a pesquisadora apontou sobre a influência das construções socioculturais associadas à vida sexual, além do diagnóstico positivo para o HIV.
No que diz respeito às drogas, a variável “fazer uso de maconha”, sendo este uso prévio ou atual, não determinado, apareceu como variável protetiva para os homens. Segundo a pesquisadora, “é possível associar este dado a duas questões: os efeitos do uso podem trazer um relaxamento que é útil se pensarmos na cobrança frente ao desempenho do homem na cena sexual. Ainda, o uso de droga pode se associar a uma construção de masculino valorizada, a de correr riscos, a de uma vivência e um saber sobre esta esfera”. É importante lembrar, segundo Lígia, que o efeito do uso é singular em cada organismo, o que não permite generalizações.
Para as portadoras de HIV esta variável não surgiu como associada à piora na vida sexual, revelando o quanto homens e mulheres são influenciados por variáveis diferentes em suas relações afetivas a partir do diagnóstico.
A pesquisadora utilizou duas amostras de portadores do vírus do Estado de São Paulo para realizar seu estudo: soropositivos que recebiam tratamento pela Casa da Aids, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP. O estudo foi baseado em respostas a dois questionários: “Vulnerabilidade e o cuidado com as pessoas vivendo com HIV/Aids – Um estudo sobre a assistência às mulheres vivendo com HIV nos serviços públicos de saúde da cidade de São Paulo”, feito entre setembro de 1999 e fevereiro de 2000, e “Práticas sexuais e reprodutivas de homens vivendo com HIV que fazem sexo com mulheres na cidade de São Paulo”, realizado entre outubro de 2001 e fevereiro de 2002. Os questionários foram realizados por grupos de pesquisa interdisciplinar relacionados a universidades brasileiras.
Fonte: Agência USP de Notícias, também disponível em http://www.aids.org.br/
A psicóloga Lígia Polistchuck estudou o assunto em sua dissertação de mestrado “Mudanças na vida sexual após o sorodiagnóstico para o HIV: uma comparação entre homens e mulheres”, que foi orientada pelo professor Ivan França Junior. Ela constatou que algumas concepções construídas social e culturalmente sobre os universos masculino e feminino podem exercer influência para piora na vida sexual. Segundo a psicóloga, além de se depararem com tais concepções, atualmente os soropositivos ainda enfrentam, de certa forma, um suporte às vezes não adequado dado pelas instituições que se dizem especializadas. “Este suporte os reduzem ao diagnóstico da doença, sem atentar para os outros fatores que auxiliariam na promoção de sua saúde”, afirma Lígia.
A pesquisa, baseada na análise de questionários respondidos por 979 portadores de HIV, aponta as variáveis mais relacionadas à piora tratando-se de cada sexo. Há variáveis que protegeriam os soropositivos da piora na vida sexual, chamadas “protetivas”, e também variáveis que colaborariam para o agravamento da vida sexual. Para cada sexo, variáveis diferentes apresentam-se como mais expressivas, sejam protetivas ou não.
Por exemplo, para as mulheres, a falha de suporte do serviço de saúde, em diversos aspectos, é considerada muito significativa como causa de piora na vida sexual. Já para os homens, ter o número de parceiras sexuais reduzido após o diagnóstico apresenta-se como questão expressiva para o agravamento na vida sexual. Isso não os ajuda na tentativa de manutenção do “ser homem”, uma construção sociocultural.
Como “protetiva”, “a facilidade para falar com psicólogo às vezes” apareceu no universo masculino. Curiosamente, ao contrário do que se esperava baseado no senso comum de que mulheres conversam mais com os médicos — psicólogos e outros profissionais da área —, esta variável não foi expressiva para o universo feminino. Apesar disso, “a não abertura para falar com ginecologista sobre as relações sexuais” foi considerada um motivo expressivo de piora. A partir desta comparação, Lígia pôde confirmar a importância de ser oferecido um espaço para que as pessoas que vivem com HIV possam falar da vida sexual com o profissional de saúde. Este, por sua vez, deve ter um olhar mais atento às demandas não tão óbvias, ou que não se associem somente à prevenção ou ausência de doença.
Vida financeira e uso de drogas
O trabalho constatou ainda que questões que dizem respeito à vida financeira também exercem influência para as mudanças na vida sexual de portadores. No caso dos homens e das mulheres, respectivamente, estar empregado e receber um salário mediano, por exemplo, é considerado importante para as mudanças na vida sexual. Os homens, caso desempregados, têm mais possibilidade de apresentar piora. Esta piora aconteceria porque o homem é cobrado e/ou se cobra quando o assunto é “desempenho”, “poder”, “prover”, colaborando para o que a pesquisadora apontou sobre a influência das construções socioculturais associadas à vida sexual, além do diagnóstico positivo para o HIV.
No que diz respeito às drogas, a variável “fazer uso de maconha”, sendo este uso prévio ou atual, não determinado, apareceu como variável protetiva para os homens. Segundo a pesquisadora, “é possível associar este dado a duas questões: os efeitos do uso podem trazer um relaxamento que é útil se pensarmos na cobrança frente ao desempenho do homem na cena sexual. Ainda, o uso de droga pode se associar a uma construção de masculino valorizada, a de correr riscos, a de uma vivência e um saber sobre esta esfera”. É importante lembrar, segundo Lígia, que o efeito do uso é singular em cada organismo, o que não permite generalizações.
Para as portadoras de HIV esta variável não surgiu como associada à piora na vida sexual, revelando o quanto homens e mulheres são influenciados por variáveis diferentes em suas relações afetivas a partir do diagnóstico.
A pesquisadora utilizou duas amostras de portadores do vírus do Estado de São Paulo para realizar seu estudo: soropositivos que recebiam tratamento pela Casa da Aids, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP. O estudo foi baseado em respostas a dois questionários: “Vulnerabilidade e o cuidado com as pessoas vivendo com HIV/Aids – Um estudo sobre a assistência às mulheres vivendo com HIV nos serviços públicos de saúde da cidade de São Paulo”, feito entre setembro de 1999 e fevereiro de 2000, e “Práticas sexuais e reprodutivas de homens vivendo com HIV que fazem sexo com mulheres na cidade de São Paulo”, realizado entre outubro de 2001 e fevereiro de 2002. Os questionários foram realizados por grupos de pesquisa interdisciplinar relacionados a universidades brasileiras.
Fonte: Agência USP de Notícias, também disponível em http://www.aids.org.br/
terça-feira, 5 de abril de 2011
Um relato da nossa experiência...
Olá a todos e todas as seguidodores deste blog,
Nesse espaço virtual, nós, integrantes do Grupo de Pesquisa Saúde,
Minorias Sociais e Comunicação, do curso de Psicologia da UFSM,
desejamos trocar idéias sobre temas relacionados à Saúde Sexual e
Reprodutiva, HIV/AIDS, discriminação de gênero/raça/etnia, aborto,
etc. Semana passada, tivemos o primeiro encontro do “Grupo de Estudos
Em Psicologia Social: Olhares Sobre Saúde Sexual E Reprodutiva Em
Tempos De Hiv/Aids”. O grupo é coordenado pela mestranda Vanessa
Berni, e conta com a participação de alunos de graduação, que são a
Mônica, Daniela, Mariana, Rosinéia, Luana, Sâmara, Letícia, Cézar e a
colaboradora Mauren.
Pessoas dispostas a dialogar e aprender um pouco mais sobre tal tema.
Pessoas convocadas (utilizando os termos da Mauren) pelos mais
diversos motivos, e que desejam que as discussões possam nos dar uma
base para nosso “fazer” profissional. Tais discussões irão pautar
nossa atuação no papel de mediadores do Projeto de Extensão chamado
“Conversando sobre saúde” (estaremos divulgando esse Projeto e
explicando nossa proposta em outro post). Mas também irão nos auxiliar
a compreender os sujeitos nos mais diversos contextos de atuação, seja
em caps, em clínicas individuais, nas escolas, em unidades básicas de
saúde, etc. Isso porque essas questões atravessam nossos cotidianos e
se inscrevem em nossas subjetividades.
Nesse encontro, iniciamos com a leitura do texto “Saúde Integral,
Reprodutiva e Sexual da Mulher”, da autora Wilza Villela. Nesse texto,
ela vai apresentar a idéia de que conceitos, tais como saúde,
reprodução, sexo, mulher, são conceitos construídos historicamente, e
que também passam por modificações ao longo dos anos. Confere especial
atenção ao movimento feminista, que veio questionar tais conceitos e
colaborar para novos e diferentes entendimentos em relação a Saúde
sexual e reprodutiva.
Inicialmente, a áreas que se dedicaram ao cuidado da saúde da mulher,
deram especial atenção à saúde materno-infantil. Ou seja, esse olhar
começou via reprodução e filhos. Através da diálogos e lutas de muitas
ativistas esta concepção começou a ser modificada, desnaturalizando a
noção de mulher como “ser reprodutivo”. A mulher passa a ser olhada
como sujeito de políticas que lhe dizem respeito, implicada no
controle do seu corpo e possuídora de direito de decidir reproduzir ou
não.
Sabemos que, mesmo com intensos anos de lutas e debates, as mulheres
continuam sendo valorizadas pela sua capacidade de ser “mãe”. São
perguntas que rondam o cotidiano das mulheres: Tens filhos? Quando
vais engravidar? Ou seja, muitas vezes, a maternidade é antes uma
condição pré-determinada e de maior relevância do que o próprio “ser
mulher”.
Nesse texto a autora vai contextualizar sua fala a partir de questões
discutidas na Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento, realizada em Cairo. Como já mencionamos em um post
anterior, tal conferência teve um papel fundamental para a questão.
A noção de controle sobre o próprio corpo à primeira vista pode
parecer uma questão simples, mas envolve uma complexidade tamanha.
Tivemos a oportunidade, no encontro do grupo, de pensarmos
conjuntamente tal questão. A história do Movimento Feminista, com o
slogan “nosso corpo nos pertence”, visava modificar a visão da
sociedade, colocando a mulher como sujeito de direito do controle
sobre o próprio corpo e reprodução. Mas esse movimento se deparou com
um outro entendimento da questão, baseados nas teorias de Malthus,
que apontavam que o rápido crescimento populacional pode levar o mundo
à escassez de alimentos, e que começaram a desistimular a gravidez a
partir de tal paradigma. Isso impactou na luta das feministas, pois
não desejavam que o controle reprodutivo se desse a partir de tais
concepções.
Esse pequeno histórico nos instigou a pensar na complexidade referida
no parágrafo anterior. Por exemplo, imaginemos uma mulher, moradora de
uma região muito pobre do Brasil. Imaginemos que essa mulher decide
conscientemente não ter filhos. Será está uma decisão própria, pautada
pelo seu direito de controlar o seu corpo reprodutivo? Ou será está
decisão pautada por outros condicionantes, como a pobreza que a
impossibilita de dar o sustento a um filho? Será mesmo uma decisão da
própria mulher? Eis um pequeno exemplo de quão complexa é a questão,
já que somos sujeitos atravessados por questões
históricas-sociais-econômicas.
Aqui, tentei esboçar um pouquinho das nosso primeiro encontro.
Estaremos atualizando a medida do possível, pois nosso interesse é
ampliar a discussão, dialogar com outros acadêmicos, professores, e
membros da comunidade em geral.
Até mais
Rosi
Nesse espaço virtual, nós, integrantes do Grupo de Pesquisa Saúde,
Minorias Sociais e Comunicação, do curso de Psicologia da UFSM,
desejamos trocar idéias sobre temas relacionados à Saúde Sexual e
Reprodutiva, HIV/AIDS, discriminação de gênero/raça/etnia, aborto,
etc. Semana passada, tivemos o primeiro encontro do “Grupo de Estudos
Em Psicologia Social: Olhares Sobre Saúde Sexual E Reprodutiva Em
Tempos De Hiv/Aids”. O grupo é coordenado pela mestranda Vanessa
Berni, e conta com a participação de alunos de graduação, que são a
Mônica, Daniela, Mariana, Rosinéia, Luana, Sâmara, Letícia, Cézar e a
colaboradora Mauren.
Pessoas dispostas a dialogar e aprender um pouco mais sobre tal tema.
Pessoas convocadas (utilizando os termos da Mauren) pelos mais
diversos motivos, e que desejam que as discussões possam nos dar uma
base para nosso “fazer” profissional. Tais discussões irão pautar
nossa atuação no papel de mediadores do Projeto de Extensão chamado
“Conversando sobre saúde” (estaremos divulgando esse Projeto e
explicando nossa proposta em outro post). Mas também irão nos auxiliar
a compreender os sujeitos nos mais diversos contextos de atuação, seja
em caps, em clínicas individuais, nas escolas, em unidades básicas de
saúde, etc. Isso porque essas questões atravessam nossos cotidianos e
se inscrevem em nossas subjetividades.
Nesse encontro, iniciamos com a leitura do texto “Saúde Integral,
Reprodutiva e Sexual da Mulher”, da autora Wilza Villela. Nesse texto,
ela vai apresentar a idéia de que conceitos, tais como saúde,
reprodução, sexo, mulher, são conceitos construídos historicamente, e
que também passam por modificações ao longo dos anos. Confere especial
atenção ao movimento feminista, que veio questionar tais conceitos e
colaborar para novos e diferentes entendimentos em relação a Saúde
sexual e reprodutiva.
Inicialmente, a áreas que se dedicaram ao cuidado da saúde da mulher,
deram especial atenção à saúde materno-infantil. Ou seja, esse olhar
começou via reprodução e filhos. Através da diálogos e lutas de muitas
ativistas esta concepção começou a ser modificada, desnaturalizando a
noção de mulher como “ser reprodutivo”. A mulher passa a ser olhada
como sujeito de políticas que lhe dizem respeito, implicada no
controle do seu corpo e possuídora de direito de decidir reproduzir ou
não.
Sabemos que, mesmo com intensos anos de lutas e debates, as mulheres
continuam sendo valorizadas pela sua capacidade de ser “mãe”. São
perguntas que rondam o cotidiano das mulheres: Tens filhos? Quando
vais engravidar? Ou seja, muitas vezes, a maternidade é antes uma
condição pré-determinada e de maior relevância do que o próprio “ser
mulher”.
Nesse texto a autora vai contextualizar sua fala a partir de questões
discutidas na Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento, realizada em Cairo. Como já mencionamos em um post
anterior, tal conferência teve um papel fundamental para a questão.
A noção de controle sobre o próprio corpo à primeira vista pode
parecer uma questão simples, mas envolve uma complexidade tamanha.
Tivemos a oportunidade, no encontro do grupo, de pensarmos
conjuntamente tal questão. A história do Movimento Feminista, com o
slogan “nosso corpo nos pertence”, visava modificar a visão da
sociedade, colocando a mulher como sujeito de direito do controle
sobre o próprio corpo e reprodução. Mas esse movimento se deparou com
um outro entendimento da questão, baseados nas teorias de Malthus,
que apontavam que o rápido crescimento populacional pode levar o mundo
à escassez de alimentos, e que começaram a desistimular a gravidez a
partir de tal paradigma. Isso impactou na luta das feministas, pois
não desejavam que o controle reprodutivo se desse a partir de tais
concepções.
Esse pequeno histórico nos instigou a pensar na complexidade referida
no parágrafo anterior. Por exemplo, imaginemos uma mulher, moradora de
uma região muito pobre do Brasil. Imaginemos que essa mulher decide
conscientemente não ter filhos. Será está uma decisão própria, pautada
pelo seu direito de controlar o seu corpo reprodutivo? Ou será está
decisão pautada por outros condicionantes, como a pobreza que a
impossibilita de dar o sustento a um filho? Será mesmo uma decisão da
própria mulher? Eis um pequeno exemplo de quão complexa é a questão,
já que somos sujeitos atravessados por questões
históricas-sociais-econômicas.
Aqui, tentei esboçar um pouquinho das nosso primeiro encontro.
Estaremos atualizando a medida do possível, pois nosso interesse é
ampliar a discussão, dialogar com outros acadêmicos, professores, e
membros da comunidade em geral.
Até mais
Rosi
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Saúde e Direitos Reprodutivos
A concepção de direitos reprodutivos vai além da assistência à saúde sexual e reprodutiva. Abrange diversos direitos humanos, individuais e sociais, que devem interagir para o pleno exercício da sexualidade e da reprodução.
O debate envolve questões como:
Essa é uma das batalhas mais árduas das mulheres brasileiras nos últimos anos. Isso porque envolve preconceitos, discriminações e dogmas religiosos, além de problemas estruturais, como o empobrecimento crescente da população feminina.
É fundamental que as políticas públicas adotem uma perspectiva de gênero e cor/raça em suas ações. E que desenvolvam uma agenda mais ampla de saúde feminina, que considere as desigualdades entre regiões e grupos específicos de mulheres.
(Fonte: site O progresso das mulheres no Brasil) http://www.mulheresnobrasil.org.br/interno.asp?canal=saudedireitos&id=saudedireitos
O debate envolve questões como:
- Igualdade entre os gêneros quanto às responsabilidades contraceptivas e reprodutivas
- Acesso a informação e educação
- Acesso a métodos contraceptivos, assistência ginecológica e prevenção de câncer
- Liberdade sexual e reprodutiva sem discriminação, coerção ou violência
- Direito a liberdade e autodeterminação reprodutiva
- Direito à livre escolha de ter ou não ter filhos, de decidir os intervalos dos nascimentos e de constituir família
Essa é uma das batalhas mais árduas das mulheres brasileiras nos últimos anos. Isso porque envolve preconceitos, discriminações e dogmas religiosos, além de problemas estruturais, como o empobrecimento crescente da população feminina.
É fundamental que as políticas públicas adotem uma perspectiva de gênero e cor/raça em suas ações. E que desenvolvam uma agenda mais ampla de saúde feminina, que considere as desigualdades entre regiões e grupos específicos de mulheres.
(Fonte: site O progresso das mulheres no Brasil) http://www.mulheresnobrasil.org.br/interno.asp?canal=saudedireitos&id=saudedireitos
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