segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Memórias de uma mulher impossível - Cinco sobre cinco








Recebi este vídeo e achei interessante compartilhar - por 

Fabiana Aparecida Bianchini 

12/05/12


Memórias de uma mulher impossível - Cinco sobre cinco
Rose Marie Muraro (Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1930) é uma intelectual e feminista brasileira. Nasceu praticamente cega, sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo.

Estudou Física, é escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.

As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."

Estudou Física, é escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.
As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."Estudou Física, é escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.
As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."Estudou Física, é escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial é fruto de uma mente libertária cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.As idéias refletem-se na vida pessoal desta mulher notável; há pouco tempo, Rose Marie Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez. "Sei hoje que sou uma mulher muito bonita."


Trecho do documentário "Memórias de uma mulher impossível" de Márcia Derraik. Traça uma espécie de mosaico sobre a vida e obra de Rose Marie Muraro - física ...

CARTILHA - Grupo de Mulheres: Compartilhando Experiências

Aqui está uma publicação realizada pelo nosso grupo de Pesquisa! Não trata diretamente sobre aborto, mas trata de empoderamento das mulheres. A cartilha foi elaborada em conjunto com mulheres que participaram de Grupos de Empoderamento no campo da Saúde Sexual e Reprodutiva. Acesse a cartilha completa em: https://drive.google.com/file/d/0B6__bmbObZPeQ0Jtc25nSUkxdHM/view?usp=sharing






sábado, 20 de junho de 2015

Qual o papel da mulher?

Assista à entrevista da filósofa Márcia Tiburi, e pense conosco: "qual é o papel da mulher na nossa sociedade?".

Saiba também as definições de machismo, feminismo e outros conceitos que permeiam as relações entre homens e mulheres.

 "Nós podemos medir o machismo nas nossas relações mais simples, nas nossas relações mais cotidianas. No contato com os nossos amigos, no contato com os nossos colegas de trabalho, no contato com um homem qualquer que a gente cruza na rua, no ônibus, no metrô". - Márcia Tiburi em entrevista ao "Entre o Céu e a Terra"



quarta-feira, 20 de maio de 2015

Plano Nacional de Políticas para as Mulheres 2013- 2015

O Plano objetiva a consolidação de políticas públicas vinculadas às questões de gênero. Ele foi produzido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, que busca, ao lado das mulheres, uma sociedade mais justa.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Consequências dos comentários manipuladores dirigidos às mulheres

Leia esta reportagem e entenda o porquê de muitas mulheres serem tratadas como loucas, exageradas e confusas, e a relação disso com a manipulação emocional.
http://www.geledes.org.br/por-que-as-mulheres-nao-estao-loucas/#axzz3XqvO6XM6

Reportagem:

Você é tão sensível. Tão emocional. Tão defensiva. Você está exagerando. Calma. Relaxe. Pare de surtar! Você é louca! Eu estava só brincando, você não tem senso de humor? Você é tão dramática. Deixa pra lá de uma vez!


Soa familiar?
Se você é uma mulher, provavelmente sim.
Você alguma vez escuta esse tipo de comentário de seu marido, parceiro, chefe, amigos, colegas ou parentes após expressar frustração, tristeza ou raiva sobre algo que eles disseram ou fizeram?
Quando alguém diz essas coisas a você, não é um exemplo de comportamento sem consideração. Quando seu marido aparece meia hora atrasado para o jantar sem avisar – isso é desconsideração. Uma observação com o propósito de calar você – como, “Relaxa, está exagerando” – logo após você apontar o comportamento ruim de alguém é manipulação emocional, pura e simples.
E é esse o tipo de manipulação emocional que alimenta uma epidemia em nosso país, uma epidemia que define as mulheres como loucas, irracionais, exageradamente sensíveis e confusas. Essa epidemia ajuda a alimentar a ideia de que as menores provocações fazem com que as mulheres libertem suas (loucas) emoções. Isso é falso e injusto. Acho que é hora de separar o comportamento sem consideração de manipulação emocional e começarmos a usar uma palavra fora de nosso vocabulário usual.
Quero introduzir um útil temo para identificar essas reações: “gaslaitear“.
(pequeno adendo do editor: “gaslaitear” foi uma adaptação do termo gaslighting para o português, para facilitar a compreensão do texto)
Gaslaitear é um termo usado com frequência por profissionais da área de saúde mental (não sou um deles) para descrever comportamento manipulador usado para induzir pessoas a pensarem que suas reações são tão insanas que só podem estar malucas.
O termo vem do filme de 1944 da MGM, “Gaslight“, estrelando Ingrid Bergman. O marido de Bergman no filme, interpretado por Charles Boyer, quer tomar sua fortuna. Ele se dá conta de que pode conseguir isso fazendo com que ela seja considerada insana e enviada para uma instituição mental. Para tanto, ele intencionalmente prepara as lâmpadas de gás (no inglês, “gaslights”, vindo daí o nome do filme) de sua casa para ligarem e desligarem alternadamente.
E toda vez que Ingrid reage a isso, ele diz a ela que está vendo coisas.
Nesse contexto, uma pessoa gaslaiteadora é alguém que apresenta informação falsa para alterar a percepção da vítima sobre si mesma.
Hoje, quando o termo é usado, usualmente significa que o perpetrador usou expressões como, “Você é tão estúpida” ou “Ninguém jamais vai te querer” para a vítima.
Essa é uma forma intencional e premeditada de gaslaitear, como as ações do personagem de Charles Boyer no filme Gaslight, no qual ele estrategicamente age para fazer com que sua esposa acredite estar confusa.
A forma de gaslaitear que estou apontando nem sempre é premeditada ou intencional, o que a torna pior, pois significa que todos nós, especialmente as mulheres, já tiveram que lidar com isso em algum momento.
Aqueles que gaslaiteaim criam reações – seja raiva, frustração, tristeza – na pessoa com quem estão interagindo. Então, quando essa pessoa reage, o gaslaiteador a faz sentir desconfortável e insegura por agir como se seus sentimentos fossem irracionais ou anormais.
* * *
Minha amiga Anna (todos os nomes trocados por questão de privacidade, claro) é casada com um homem que sente a necessidade de fazer observações não solicitadas e aleatórias sobre seu peso.
Sempre que ela fica brava ou frustrada com seus comentários insensíveis, ele responde da mesma maneira defensiva, “Você é tão sensível, estou só brincando”.
Minha amiga Abbie trabalha para um homem que, quase todos os dias, acha um jeito de criticá-la, assim como a qualidade de seu trabalho. Observações como “Você não consegue fazer algo direito?” ou “Por que fui te contratar?” são comuns para ela. Seu chefe não tem dificuldade em demitir pessoas (o que faz regularmente), então seria difícil pensar, baseado nesses comentários, que Abbie trabalha pra ele há seis anos.
Mas toda vez que ela se posiciona e diz “Não me ajuda em nada quando você diz essas coisas”, ela recebe a mesma resposta:
“Relaxa, você está exagerando.”
É muito mais fácil manipular emocionalmente alguém que foi condicionado por nossa sociedade para tal. Nós continuamos a impor isso sobre as mulheres pelo simples fato de que elas não recusam nossos fardos. É a covardice suprema.
Abbie pensa que seu chefe está apenas sendo um babaca nesses momentos, mas a verdade é que ele está fazendo esses comentários para induzí-la a achar que suas reações não fazem sentido. E é exatamente esse tipo de manipulação que a faz sentir culpada por ser sensível e, como resultado, se recusar a deixar seu emprego.
Mas gaslaitear pode ser tão simples quanto alguém sorrindo e dizendo, “Você é tão sensível”, para outra pessoa. Tal comentário pode soar inócuo, mas naquele contexto a pessoa está emitindo um julgamento sobre como a outra deveria se sentir.
Mesmo que lidar com gaslaitear não seja uma verdade universal para todas as mulheres, nós certamente conhecemos muitas delas que enfrentam isso no trabalho, em casa ou em seus relacionamentos.
E o ato de gaslaitear não afeta só mulheres inseguras. Até mesmo mulheres assertivas e confiantes estão vulneráveis. Por que?
Porque as mulheres suportam o peso da nossa neurose. É muito mais fácil para nós colocar nossos fardos emocionais nos ombros de nossas esposas, amigas, namoradas e empregadas, do que é impô-los nos ombros dos homens.
Quer gaslaitear seja consciente ou não, produz o mesmo resultado: torna algumas mulheres emocionalmente mudas.
Essas mulheres não conseguem expressar com clareza para seus esposos que o que é dito ou feito a elas as machuca. Elas não conseguem dizer a seus chefes que esse comportamento é desrespeitoso e as impede de trabalhar melhor. Elas não conseguem dizer a seus parentes que, quando eles são críticos, estão fazendo mais mal do que bem.
Quando essas mulheres recebem qualquer tipo de reprimenda por suas reações, tendem a deixar passar, pensando, “Esqueça, tá tudo bem.”
Esse “esqueça” não significa apenas deixar um pensamento de lado, é ignorar a si mesma. Me parte o coração.
Não é de se admirar que algumas mulheres sejam inconscientemente passivas agressivas ao expressarem raiva, tristeza ou frustração. Por anos, têm se sujeitado a tanto abuso que nem conseguem mais se expressar de um modo que seja autêntico para elas.
Elas dizem “sinto muito” antes de darem sua opinião. Em um email ou mensagem de texto, colocam uma carinha feliz ao lado de uma questão ou preocupação séria, de modo a reduzir o impacto de expressarem seus verdadeiros sentimentos.
Você sabe como é: “Você está atrasado :) ”
Essas são as mesmas mulheres que seguem em relacionamentos dos quais deveriam sair, que não seguem seus sonhos, que desistem da vida que gostariam de viver.
* * *
Desde que embarquei nessa auto-exploração feminista na minha vida e nas vidas das mulheres que conheço, esse conceito das mulheres como “loucas” tem de fato emergido como uma séria questão na sociedade e igualmente uma grande frustração para as mulheres em minha vida, de modo geral.
Desde o modo com que as mulheres são retratadas em reality shows a como nós condicionamos meninos e meninas a verem as mulheres, acabamos aceitando a ideia de que as mulheres são desequilibradas, indivíduos irracionais, especialmente em momentos de raiva e frustração.
Outro dia mesmo, em um vôo de São Francisco para Los Angeles, uma aeromoça que acabou me reconhecendo de outras viagens perguntou qual era minha profissão. Quando disse a ela que escrevo principalmente sobre mulheres, ela logo riu e perguntou, “Oh, sobre como somos malucas?”.
Sua reação instintiva ao meu trabalho me deixou um bocado deprimido. Apesar de ter respondido como uma brincadeira, a pergunta dela não deixa de apontar um padrão sexista que atravessa todas as facetas da sociedade, sobre como homens veem as mulheres, o que impacta enormente como as mulheres enxergam a si mesmas.
Até onde sei, a epidemia de gaslaitear é parte da luta contra os obstáculos da desigualdade que as mulheres enfrentam. Gaslaitear rouba sua ferramenta mais forte: sua voz. Isso é algo que fazemos com elas todos dias, de diferentes modos.
Não acho que essa ideia de que as mulheres são “loucas” está baseada em algum tipo de conspiração massiva. Na verdade, acredito que está conectada à lenta e firme batida das mulheres sendo minadas e postas de lado, diariamente. E gaslaitear é uma das muitas razões pelas quais estamos lidando com essa construção pública das mulheres como “loucas”.
Reconheço ter gaslaiteado minhas amigas no passado (mas nunca os amigos – surpresa, surpresa). É vergonhoso, mas fico feliz em ter me dado conta disso e cessado de agir dessa maneira.
Mesmo tomando responsabilidade por meus atos, acredito sim que, junto com outros homens, sou um produto de nosso condicionamento. E que ele nos dificulta admitir culpa e expor qualquer tipo de emoção.
Quando somos desencorajados de expressar nossas emoções em nossa infância e adolescência, isso faz com que muitos de nós sigam firmes em sua recusa de expressar arrependimento quando vemos alguém sofrendo por conta de nossas ações.
Quando estava escrevendo esse artigo, me lembrei de uma de minhas falas favoritas de Gloria Steinem:
“O primeiro problema para todos nós, homens e mulheres, não é aprender; mas sim desaprender.”
Então, para muitos de nós, o assunto é primeiro desaprender como usar essas lâmpadas de gás (referência à origem do termo gaslighting/gaslaitear) e entender os sentimentos, opiniões e posições das mulheres em nossas vidas.
Pois a questão de gaslaitear não seria, em última instância, sobre nosso condicionamento em acreditar que as opiniões das mulheres não têm tanto peso quanto as nossas? Que o que elas têm a dizer e o que sentem não é tão legítimo quanto o que nós dizemos e sentimos?
* * *

Esse post foi originalmente publicado no blog do Yashar, The Current Conscience. Nós lemos pela primeira vez no The Good Men Project. Tradução feita com permissão do autor.
Morando em Los Angeles, Yashar Ali é um blogger, comentarista e veterano político cujos artigos sobre mulheres, desigualdade entre gêneros, heroísmo político e sociedade já foram publicados na revista TIME, no The Wall Street Journal, no The New York Times e hoje estão centralizados em seu site: The Current Conscience. Siga-o no Twitter ou no Facebook.


Leia a matéria completa em: Por que as mulheres não estão loucas - Geledés 
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domingo, 19 de abril de 2015

#SomosTodasVerônica

Recentemente, Verônica Bolina (25 anos), negra e travesti, foi presa sendo acusada de ter agredido uma vizinha idosa, levada até a delegacia, ela foi acusada de ter arrancado um pedaço da orelha de um dos policiais. Logo depois, foram amplamente divulgadas na mídia fotos suas, onde aparecia extremamente machucada, nua e algemada. Inúmeras repercussões se seguiram, especulando sobre o que realmente teria acontecido nesse caso. Não restam dúvidas de que se trata de um caso de violência institucional e de gênero.

Mais um trágico exemplo da misoginia e transfobia presente em nossas relações interpessoais. Além disso, mostra também os laços de poder autoritário e abusivo existentes nas relações institucionais, onde um senso de justiça corretiva se torna mais válido do que o respeito a simples diretrizes propostas pelos Direitos Humanos, que supera qualquer noção simplista de culpa ou inocência. Verônica Bolina não foi tratada como ser humano, e sim vista como uma ameaça a ser exterminada pelos guardiões da ordem e dos bons costumes.

Recentemente, o Congresso Nacional aprovou a Lei Nº 13.104, alterando as leis anteriores do Código Penal que dizem respeito ao homicídio, considerando o Feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres, como crime hediondo. No entanto, apesar de carregar uma importância fundamental no reconhecimento dos altos índices de mortalidade e violência contra as mulheres no Brasil, essa lei, novamente, não leva em consideração pessoas travestis/transexuais/transgênero, apenas mulheres consideradas "naturais" - o que considera o sexo biológico como condição naturalizadora e definidora de gênero e/ou orientação sexual.

Percebe-se então, que a população transexual se configura como uma minoria dentro da minoria quando a sociedade se recusa em reconhecer a sua existência, deixando-as a margem de qualquer resguardo jurídico e até mesmo moral. Não é à toa que os policiais espancaram, humilharam e divulgaram fotos de Verônica Bolina, pois sabiam que não seriam nem ao menos repreendidos pelas instâncias penais do nosso país.

A aprovação dessa nova lei e suas consequências, além desse acontecimento nos faz pensar: que tipo de feminismo, e sobretudo, que tipo de sociedade estamos tentando construir?

Link com detalhes sobre o caso: http://blogueirasfeministas.com/2015/04/apoio-a-veronica-bolina/


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Discutindo Aborto e Direitos Sexuais e Reprodutivos - Projeto de Lei 882/2015


     Em tempos de intolerância e autoritarismo explícitos no cenário político brasileiro, surge a importância de se discutir sobre o aborto, cuja proibição acarreta no alarmante índice de mortalidade de milhares de mulheres por ano em nosso país, configurando-se como uma questão de saúde pública urgente. Além das condições precárias de cuidado em saúde, há também a culpabilização e julgamento moral que se faz sobre essa mulher que escolhe não levar adiante uma gestação, um ato que deveria ser respeitado como uma escolha feita sobre o destino do próprio corpo. 

     O deputado federal do Rio de Janeiro pelo PSOL, Jean Wyllys, recentemente apresentou à Câmara o Projeto de Lei (PL) 882/2015, o qual delimitaria o que são Direitos Sexuais e Reprodutivos no contexto brasileiro, além de assegurar um processo de aborto seguro para todas as mulheres que optarem por ele, através do SUS.

     Assim, percebemos que, apesar da presença de políticos que nada fazem a não ser ignorar as questões de cunho urgente e proliferar o ódio e a intolerância contra as minorias sociais no Brasil - como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que falou recentemente: "aborto só vai à votação se passar por cima do meu cadáver" - também temos políticos que trabalham para que projetos importantes sejam colocados em prática, e se não forem aprovados ainda, pelo menos serão discutidos.

     "O aborto é, hoje, um assunto proibido em quase todos os espaços, e não importa o motivo para a interrupção da gravidez: o assunto é tratado como tabu, evitado a todo custo em quase todas as campanhas eleitorais e a prática é criminalizada segundo o Código Penal, que estabelece como exceções à regra apenas duas possibilidades: o risco à vida da gestante e a gravidez decorrente de estupro. Diante da necessidade de regulamentar esta questão e definir, em lei, a responsabilidade dos entes federativos no atendimento à mulher, no planejamento familiar, na distribuição de métodos contraceptivos e na educação para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez indesejada, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) apresentou, nesta terça-feira, 24, o Projeto de Lei 882/2015, que estabelece as políticas públicas no âmbito da saúde sexual e direitos reprodutivos e legaliza e regulamenta a prática do aborto seguro, reconhecendo à mulher o direito a decidir sobre seu corpo."



Lançamento Livro "Caminhos à Gestão de Políticas Públicas"

Prezadas e prezados autores do livro Caminhos à Gestão de Políticas Públicas: Vivências em Gênero e Raça,
as organizadoras, professoras Maria Celeste Landerdahl e Adriane Roso, juntamente com a diretoria da
Seção Sindical dos Docentes da UFSM, têm a satisfação de convidá-los para o coquetel de lançamento da obra,
no dia 14 de abril, às 18h, no Auditório da SEDUFSM (Rua André Marques, 665 – Santa Maria).
Gentilmente, solicitamos confirmação de presença até o dia 13 de abril.

 

sábado, 6 de setembro de 2014

Entrevista - Discutindo o empoderamento da mulher


Discutindo o empoderamento da mulher

01/09/2014 09:08
Classificada em: Geral

Temas como a saúde sexual, reprodutiva e os problemas enfrentados pela mulher são alguns dos assuntos abordados pelo projeto Direitos sexuais e reprodutivos: conversando sobre saúde, do curso de Psicologia da UFSM. Coordenado pela professora Adriane Roso, o projeto iniciou em 2009 como projeto de extensão, atualmente, o projeto contempla a pesquisa.
A fim de ouvir os problemas do dia-a-dia enfrentado pelas mulheres, o projeto promovia reuniões com pequenos grupos, mediados por uma mestranda em Psicologia e dois graduandos bolsistas de Iniciação Cientifica. Nestas reuniões, as participantes trocavam experiências sobre as dificuldades enfrentadas. Através dos relatos e do auxílio da psicóloga e dos graduandos, o grupo buscava o empoderamento das mulheres, para que elas pudessem enfrentar as dificuldades do cotidiano, como conflitos nos relacionamentos, assédios ou problemas familiares.
As reuniões contavam com a supervisão clinica de Roso, enquanto a preparação teórica dos alunos participantes era realizada pela professora Camila Gonçalves, do Centro Franciscano Universitário. As reuniões aconteciam semanalmente na Clínica de Estudos e Intervenção em Psicologia (CEIP), localizada no Prédio de Apoio da UFSM.
Roso enfatiza a importância da convivência e dos relatos compartilhados em grupo. A ideia é que com as histórias apresentadas, as mulheres encontrem alternativas para resolução das dificuldades que estejam enfrentando. “O grupo pode propiciar modificações no sujeito de forma positiva que ele possa transformar a sua realidade opressora. O grupo tem o caráter de produzir rupturas no cotidiano das pessoas”, destaca Roso.
Após a fase de extensão, constituiu-se o projeto de pesquisa Saúde Sexual e Reprodutiva das Mulheres: o grupo como dispositivo. Atualmente, o grupo encontra-se em fase de construção do material de conhecimento teórico, com elaboração de artigos e outros materiais de divulgação científica. Ainda este ano será lançada uma cartilha, elaborada de maneira conjunta entre as participantes do projeto.
Para divulgar as atividades e disponibilizar o material produzido pelo grupo foram criados dois blogs: Mulheres em Conscientização e KIT GEM – Pacote de ferramentas: Implementando Grupos de Empoderamento de Mulheres. Este último, foi o primeiro projeto do curso de Psicologia contemplado com Bolsa de Iniciação Tecnológica, por tratar-se de uma ferramenta tecnológica que pode gerar produtos inovadores na área da Psicologia.
Com o retorno positivo das participantes das reuniões, a intenção é que a proposta do trabalho em grupos tenha continuidade no próximo semestre.
Texto: Jéssica Ribeiro

Entrevista disponível em http://site.ufsm.br/noticias/exibir/discutindo-o-empoderamento-da-mulher

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Artigo sobre o grupo é publicado

Olá!
Em dezembro foi publicado um artigo sobre as atividades do grupo de mulheres na revista Diálogo (Unilasalle-Canoas). O artigo intitulado "Saúde das mulheres, direitos e resistência: analisando discursos produzidos no campo grupal" foi escrito pela professora Adriane, pela Mônica e pela Verônica e fez parte do dossiê Mulheres, Gênero e Feminismos. O artigo completo pode ser acessado pelo link: http://www.revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Dialogo/article/view/1322/990

Veja o resumo:
Apresentamos alguns resultados de uma pesquisa-intervenção que foca em uma experiência no campo grupal. Baseada na psicologia social crítica e nos Estudos Feministas, o objetivo dessa pesquisa
foi refletir sobre saúde sexual e reprodutiva, direitos e iniquidade de gênero levando em consideração os
discursos (co)produzidos em grupos compostos por mulheres. Os grupos de fortalecimento aconteceram
em uma clínica-escola de psicologia durante os anos de 2011 e 2012. Resultados indicam que os grupos
podem favorecer resistência a modos instituídos de relações de gênero assim como produzir invenção de
novos modos de viver.
Palavras-chave: Psicologia Social; Feminismo; Grupos; Gênero; Direitos Sexuais e Reprodutivos

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Chegando ao final de mais um ano

Estamos chegando a mais um final de ano. Mais umas semanas e o grupo finaliza para 2014 suas atividades. Estamos quase encerrando a produçao de nossa cartilha, que estå sendo editorada pelo Romulo Tondo. Terå uma versåo impressa e mais adiante uma versåo online. Aguardem!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

sábado, 10 de agosto de 2013

Princesas de contos de fada vivem problemas modernos em exposição fotográfica

"Será que as princesas realmente viveram felizes para sempre? A artista canadense Dina Goldstein imagina princesas clássicas no mundo real --e com problemas reais. Na série de fotos "Fallen Princesses", ela retrata os contos infantis de forma irônica, como a Cinderela.
"Ao colocar personagens simbólicos, como a Chapeuzinho Vermelho ou a Branca de Neve, em situações modernas, a série se tornou um comentário sobre assuntos como pobreza, obesidade, câncer e poluição", diz a artista.
A ideia surgiu depois que sua mãe e outras pessoas próximas foram diagnosticadas com câncer (o que inspirou a foto de Rapunzel). Além disso, sua filha estava "naquela idade em que todas as meninas se vestem de princesa"."
via Folha de São Paulo
Acesso o link e veja a reportagem na íntegra! 

O que você achou da exposição?

domingo, 28 de julho de 2013

A menina quebrada



Eliane Brum fala sobre seu último livro lançado, intitulado "A menina quebrada"...

Link: http://www.youtube.com/watch?v=TBuwBuLoIDE&feature=youtu.be

Vale a pena conferir!

Marcha das Vadias


As integrantes do Coletivo Marcha das Vadias Santa Maria explicam na série de três vídeos intitulados "Coletivo Marcha das Vadias Responde" sobre a origem da marcha; por que marchar e o que é ser vadia.

Em 2013, a Marcha das Vadias SM aconteceu dia 20 de julho, com concentração às 14h na Concha Acústica do Parque Itaimbé.

Os vídeos são uma produção das acadêmicas do curso de jornalismo da UFSM Luciele Oliveira e Myrella Algayer, juntamente com o estudante Augusto Vasconcelos.



Como a marcha começou?

http://www.youtube.com/watch?v=tEELwm-inCU



Por que marchar?

http://www.youtube.com/watch?v=-FHZKQEtVxo


O que é ser vadia? 

"Quando as mulheres quiseram estudar, elas foram chamadas de vadias, quando elas quiseram votar, foram chamadas de vadias".

"Se reivindicar essa liberdade, é ser vadia, então porque nós não somos? Qual é o problema em ser vadia, se isso significa se colocar numa posição de questionamento, enfim, numa posição de querer transformar mesmo a realidade".


http://www.youtube.com/watch?v=IiiRxLXHGFg&feature=share

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dia do homem?



Relembrando, o dia 8 de março de 1857, dia internacional da mulher, operárias de uma fábrica de tecidos, fizeram uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência que as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. 

E o objetivo do dia 08 de março não era/é comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas/nós ainda sofrem/sofremos, em muitos locais, com salários baixos, violência, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

"Em tempo: o Dia do Homem foi criado com o intuito de incentivar os homens a cuidarem da saúde e buscarem ajuda médica. Entretanto a mídia e as redes sociais desviam desse objetivo, tornando o dia um ode a heterossexualidade masculina. Ao invés de parabenizar seu pai, irmão, tio, convença-os a buscar ajuda médica! Fica a dica!".

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Essas Mulheres... Essa Mulher!


Desde o início do grupo de mulheres, variados foram os assuntos e temas que foram trazidos para discussão, mas existe algo que une todas as falas e pessoas que passaram pelo nosso grupo: o “ser mulher”. E a percepção do imaginário social que, carregado de imperativos, quer ditar sobre como nós mulheres devemos ser e agir.  O questionamento desses padrões, o compartilhamento de experiências e as trocas, podem fazer com que cada uma busque dar lugar ao seu desejo, para além do que lhes é imposto.
É pensando no que nos toca enquanto mulheres que vejo na música “Essa Mulher”, brilhantemente interpretada por Elis Regina, muitos elementos que se relacionam com nossas vivências em grupo, como em:

“Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz”


Aqui vai o link e a letra da música, para quem quiser se deixar tocar, se questionar, e sentir:
http://www.youtube.com/watch?v=KvB7vyBrfdE


Essa Mulher (Elis Regina)

"De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava a roupa, seca os olhos
Ah. como essa santa não se esquece de pedir pelas mulheres
Pelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz
De tardezinha essas menina se namora
Se enfeita se decora, sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia qualquer dia
Entender de ser feliz
De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural." 



Um excelente final de semana para todxs! Abraços

terça-feira, 21 de maio de 2013

Santa Maria e o dia dos seus 155 anos! (17/05/2013)




terça-feira, 14 de maio de 2013

Alice esperou 38 anos para matar o marido...





Vala a pena ler, afinal a história dessa Alice é mais conhecida que "Alice no país das maravilhas" para muitas mulheres! Acho que como ela, muitas mulheres morrem vivas, matam a si mesmas, morrem diariamente. Alice se matou e matou. O que você acha?






Aos 71 anos ficou viúva pelas próprias mãos: agarrou num tubo de ferro e matou José. Foi condenada a 14 anos, cumpriu seis. A história da luta entre a mulher e o corpo que o marido marcou com nódoas negras


Alice deita a cabeça no ombro do inspector. A cara cai-lhe ao comprido dos ossos e, pelo meio de soluços, apenas uma frase: “Não aguentei mais.” O filho vai com a família a caminho de umas férias no Gerês quando o telefone toca para avisar da tragédia. “Uns homens vieram cá a casa e mataram o teu pai”, diz-lhe de rajada uma vizinha da mãe. O filho não pensa e faz inversão de marcha. Estava longe de adivinhar que a tragédia afinal ainda era maior.
Alice tem 32 anos, vive em casa dos pais e quer esquecer o primeiro marido e não voltar a pensar em casamento. Casou aos 18, a acreditar que seria para a vida. Foi um inferno: ele bebia, não trabalhava, jogava à batota pela noite dentro, perdia e ficava sem dinheiro. Nunca lhe bateu mas vendeu-lhe anéis, fios, pulseiras, propriedades. Um dia, aos 25, Alice desistiu: ele foi para casa dos pais dele, ela para casa dos pais dela, cheia de vergonha de regressar, adulta e falhada.



Assim se passaram sete anos, com Alice debaixo das saias dos pais a meter na cabeça que nascera sem sorte e que ali viveria para sempre, sem homem mas sem problemas. Mas uns tios foram insistindo, dizendo aqui e ali como o José era um homem de boas famílias e agora também estava solteiro, depois de um primeiro casamento que falhara mas “não por culpa dele”. Alice nem se lembra de aceitar. Não sorriram, não se amaram. Num dia nem era uma hipótese, no outro o casamento estava consumado. O amor era aquilo ou coisa nenhuma.

Trinta e oito anos de solidão Depois do casamento, bastaram alguns dias para adivinhar o calvário: José era, de facto, de boas famílias – seria difícil encontrar melhores sogros e cunhados –, mas não era um homem bom. “Era traçado, não de beber, que só bebia um copito de vinho à refeição. Era ruim, ruim das entranhas”, conta Alice, com o mindinho torcido sobre os lábios, a retroceder dos 79 para os 32 anos.
Alice e José viviam num anexo da casa da família dele. As tareias e as ofensas eram tão violentas que nunca foram segredo para quem vivia mesmo ali ao lado. O pai tentava impedi-lo, dizendo--lhe que as mulheres são para ser respeitadas e que Alice “era do melhor” que ele podia encontrar. A mãe, descobriu Alice anos mais tarde quando encontrou José a atirá-la para fora de uma bacia, era outra vítima. “Pega-lhe se quiseres, que eu não quero saber dela para nada”, resmungava José, que rejeitava a mãe inválida com a mesma indiferença com que, por nada, rejeitava a mulher. Quando o pai de José morreu, as tareias tornaram-se quase diárias. Num dia José ameaçava atirar a cara de Alice para dentro de uma cisterna de água, noutro atirava-lhe “uma forquilha de enjeitada”, noutro dava-lhe murros na cabeça porque ela gastara 3 euros na compra de um quilo de sardinhas ou tinha dado dinheiro à neta para ir comprar cebolas. Batia-lhe com as mãos, com paus, com as canadianas, com o que tivesse à mão. “Quando não batia passava a vida a judiar--me”, recorda Alice, segurando as palavras com os lábios, fazendo força com os incisivos. José desprezava os pequenos-almoços, atirava louça e comida para fora da mesa ao almoço e ao jantar e enquanto fazia as suas mãos caírem sobre Alice chamava-lhe galdéria, puta, vadia, ordinária.



Ela andava de cara negra, mas escondia, esfregava as feridas com álcool. Um dia, depois de ser operada a uma mão, e antes de se deslocar ao hospital para mudar o penso, nem com álcool resultou: a solução foi encobrir as nódoas negras com pó de arroz. Transformou--se na técnica de camuflagem preferida: Alice tratava da própria caracterização. Acordava religiosamente às quatro da manhã, todos os dias, e ia para o palheiro. Ele ficava na cama, mas às sete não admitia que ela não tivesse limpado o estrume, ordenhado 32 vacas e não viesse já com um pote de leite em cada mão, pronta para tratar do pequeno-almoço e seguir para as oliveiras. Ela não parava e ele trabalhava tão pouco que, naquela aldeia de Matas, 40 habitantes e a 6 quilómetros de Santarém, era conhecido como “o calão que moía a mulher com pancada”.

O crime São seis da manhã do dia 2 de Agosto de 2002, sexta-feira, e, enquanto José sangra no chão da cozinha, Alice grita pelas vizinhas. Conta que apareceram dois homens, de “cara tapada com capacetes” e vestidos com “uma farda castanha”, e que bateram em José até à morte para se vingarem de aventuras amorosas que ele levava em Santarém. Durante o fim-de-semana, em casa do filho, ao lado da nora e da neta, Alice anda nervosa mas mantém a versão dos factos que contou às vizinhas e à polícia. “Não conseguia contar, morria de vergonha”, lembra Alice, com as unhas unidas em cacho, na cozinha de móveis melancólicos da casa do filho, onde agora vive, numa localidade vizinha de Matas.



No dia 6 de Agosto, os inspectores batem à porta de casa e pedem a Alice que conte a verdade. Não precisaram de dizer que tinham encontrado as suas roupas ensanguentadas, com sangue de José. Alice desatou a chorar, deitou a cabeça no ombro do inspector e durante minutos só conseguiu repetir: “Não aguentei mais.” Era a sua confissão. Alice nunca soube distinguir se era homicida ou mártir.
António Teixeira, ex-inspector da PJ, nunca esqueceu a história de Alice. Usa--a até hoje como exemplo de que “homicidas somos todos nós, num momento de desvario e de desespero”, e repete a história com a pena de quem teve de prender alguém que matou mas o fez porque foi vítima. “Porque depois de anos a ser agredida houve um dia que não aguentou mais.” O ex-inspector tentou ajudar Alice. Almoçaram juntos e aconselhou-a a contar toda a história das agressões perante o juiz, naquela tarde, no Tribunal de Santarém. Alice fez tudo ao contrário. Estava tão nervosa que só continuava a repetir: “Perdoe-me, não queria matá-lo, mas não aguentei mais.” Não contou das tareias e das ofensas ao longo de 38 anos, não contou que José ameaçava matá-la se ela fizesse queixa, não contou sequer que nesse dia José agarrou numa faca para lhe cortar o pescoço. Nesse mesmo dia, António Teixeira e outros inspectores levaram Alice para o Estabelecimento Prisional de Tires. Era, na altura, uma das mulheres mais velhas presas no país. Dias depois, a 19 de Agosto, a tia Alice, como ficou conhecida na cadeia, recebe um bolo na prisão, mas não conta a ninguém que faz 72 anos.
A mentira contada após o homicídio e a omissão das agressões no primeiro depoimento no tribunal foram fatais. Foi condenada a 14 anos de prisão. Recorreu e conseguiu dez. Pelo meio recebeu um indulto presidencial de um ano do Presidente Jorge Sampaio. Seis anos de prisão depois, no dia 6 de Agosto de 2008, entrou no carro do filho e não olhou mais para Tires.

Perder ou vencer o combate? Alice tem 71 anos e um imenso cansaço. Na noite de 1 para 2 de Agosto de 2002 nem se lembra de dormir. Não por culpa da noite abafada naquela localidade de Santarém onde o Verão quando chega queima árvores, terra, rugas e o próprio ar. Anda às voltas na cama tão cansada como se ainda andasse de cócoras, no chão, a apanhar os bocados de jantar rejeitados pelo marido. Como sempre, durante 38 anos, é a primeira a levantar-se, ainda de madrugada, e o marido fica na cama. A ronha, nessa manhã, nem durou muito. Não tardou que José, três anos mais novo, se dirigisse à casa de banho e gritasse da sanita: “Ó Maria, anda cá limpar-me o rabo.” Ela, como em tantos outros dias, foi, enrolou o papel higiénico à volta da mão e limpou-lhe o rabo. Preparava-se para fazer o pequeno-almoço quando José se antecipou e disse que tratava de si. “Ainda bem. Assim vou mais depressa para a fazenda cortar os arrebentões das oliveiras”, respondeu Alice, já pronta para sair. José não consentiu aquela resposta. Agarrou numa faca da cozinha e Alice encolheu-se. Depois avançou para ela ameaçando cortar-lhe o pescoço. Alice soube que era ele ou ela. Procura um pau, mas não encontra. Sai do anexo e encontra um tubo – 81,3 centímetros de comprimento, 2,2 centímetros de diâmetro. E o diabo, como ela ainda hoje lhe chama, entra com ela na cozinha. O diabo eram aquelas nódoas negras na pele, o corpo calejado das tareias e das ameaças, os ecos de “limpa-me o rabo”, “vou matar-te”, “sua puta, galdéria, ordinária”. Alice puxa a mão para trás das costas e atinge José na cabeça, deitando-o ao chão. Volta a bater-lhe com o tubo na cabeça e no corpo. Uma, duas, não se lembra quantas vezes. José sangra e morre com uma fractura no crânio. Foi o momento em que a mulher perdeu o combate com uma barra de ferro.
o morto em casa Alice vive num anexo da casa da família do filho e não pára de repetir quanto adora filho, a neta, mas desfaz-se de amores sobretudo pela nora, a mais dura da família. Anda apoiada num pau e faz força numa perna para poder mexer a outra. Os cães seguem-na do laranjal para casa, da casa para o laranjal. A aldeia que a entendeu no momento do crime agora esqueceu-a. Alice, 79 anos, nunca mais recebeu visitas dos antigos vizinhos de Matas desde que saiu da prisão. O filho, que sabe que o pai morreu às mãos da mãe, mas também o conhecia melhor que ninguém, nunca a julgou. Clara, filha do primeiro casamento de José, abriu um processo para pedir uma indemnização a Alice pelos danos causados com a morte do pai. Clara, até aos 11 anos, ia duas vezes por semana a casa do pai; daí até aos 18 ia só aos domingos para pedir a mesada; a partir daí só o viu três ou quatro vezes antes de ele morrer.



No quarto Alice tem duas imagens de Nossa Senhora de Fátima e um postal de Natal que trouxe de Tires. A prisão afinal “não é um sítio tão fechado como pensava”, diz Alice, 79 anos, nenhum traço de infância no rosto. “E até tinha colegas em situações semelhantes”, como a mulher “que cortou o marido às postas”. A antiga casa de Alice já não existe e na nova não há fotografias de José. “Ele quer lá saber de fotografias. Ele é ruim, de ruindade mesmo. Deus nos livre de nos calhar um desses”, remata. Fala no presente como se o passado ainda existisse nele. Alice é viúva mas José ainda mora naquela casa.


Texto de Sílvia Caneco.
Prémio Literário Orlando Gonçalves 2012.
Publicado a 10 de Março de 2011